Na reta final de campanha, três candidatos figuram como favoritos para vencer a disputa ao Senado: Coronel Fernanda (Patriota), Nilson Leitão (PSDB) e Carlos Fávaro (PSD).

Os candidatos José Medeiros (Podemos), Procurador Mauro (Psol) e Pedro Taques (SDD), embora embolados junto ao primeiro pelotão, têm chances mais remotas de êxito.

 Vejamos.

 Coronel Fernanda e os votos de Bolsonaro

 A coronel Rúbia Fernanda, considerada o fato novo desta campanha, focou no eleitorado de direita, adotou discurso radical em defesa de valores como o da família e soube conquistar apoiadores importantes, como o vice-governador Otaviano Pivetta – o que lhe rendeu projeção e expressiva margem de intenção de voto na região Norte.

 Sua maior conquista, porém, foi obter o apoio declarado do presidente Jair Bolsonaro. Nas últimas semanas, ele fez lives nas redes sociais e gravou ao lado da candidata, a elogiando e pedindo votos.

 Bolsonaro é bem avaliado em Mato Grosso e o respaldo presidencial deve lhe render votos importantes, o que pode ser decisivo para a vitória.
Leitão e apoio de Jaime

Leitão, que disputou o cargo de senador em 2018, e fez 330 mil votos, ainda possui bom recall. É hábil politicamente e construiu alianças importantes.

 Um dos seus trunfos foi formatar o apoio de Jaime Campos (DEM) e tê-lo na condição de coordenador de campanha.

 Leitão é forte no Nortão e Jaime pode lhe dar votos decisivos na Baixada Cuiabana, sobretudo em Várzea Grande.
Fávaro e a força do cargo

 Fávaro, atualmente no cargo de senador por força de uma liminar do STF, que o colocou na cadeira deixada com a cassação de Selma Arruda, soube se utilizar bem da condição.

 Se articulou politicamente em nível nacional e conta com o governador Mauro Mendes (DEM) como seu principal cabo eleitoral.

 Mais: tem, segundo as evidências, uma campanha bem estruturada e milionária, e apoio dos barões do agronegócio – fato que pode ser decisivo na reta final.

Procurador, eterno candidato

 Já o Procurador Mauro, eterno candidato a tudo, se mantém bem posicionado nas intenções de voto, justamente por essa insistência, que faz com que seu nome seja massificado e tenha boa lembrança na cabeça dos eleitores.

 Apesar disso, a falta de consistência no discurso, assim como a falta de estrutura, faz com que ele perca força eleitoral na reta final.

 Além disso, seus votos estão concentrados na Baixada Cuiabana e a falta de alcance em todo o Estado acaba sendo outro empecilho.
José Medeiros

 Deputado federal e vice-lider de Bolsonaro na Câmara, Medeiros viu suas chances se reduzirem drasticamente ao perder o apoio do presidente da República.

 Apesar do bom trânsito que mantém em Brasília, não conseguiu se articular no sentido de conquistar apoiadores políticos de peso em Mato Grosso.

 O fato de já estar cumprindo um mandato também acaba pesando contra, já que deveria manter o foco nas atividades de deputado federal.

 Taques, má gestão e rejeição

 Já a situação de Pedro Taques é mais complicada. Ele sofre com uma rejeição recorde, comprovada em todas as recentes pesquisas, como a do Ibope e não tem grupo político.

 A rejeição é fruto, principalmente, de uma gestão ruim no Governo do Estado.

 Além de poucas obras e realizações, a gestão ficou manchada pelas acusações de esquemas de corrupção – como no caso da Seduc, em que o titular da pasta [Permínio Pinto] foi preso.

 Houve, também, o famoso esquema de grampos telefônicos, conhecido como Grampolândia Pantaneira, caso que ganhou as manchetes nacionais.
Os principais acusados disseram que Taques sabia de tudo e era o grande beneficiado politicamente do esquema.

 Sua gestão também bateu o recorde histórico de secretários presos: foram cinco no total, além de seu ex-comandante da PM, Zaqueu Barbosa. Nem Silval conseguiu tanto.

 Taques também deixou os salários e décimo terceiro dos funcionários públicos atrasados; e uma dívida de R$ 3,7 bilhões com fornecedores, prestadores de serviço, etc.

 Apesar de todo o desgaste, Taques ainda aparece com boa pontuação, mas a rejeição enorme e a lembrança da gestão ruim devem pesar na reta final e desestimular o voto nele, principalmente entre os eleitores indecisos.

 Os demais candidatos - Euclides Ribeiro (Avante), Ellizeu Nascimento (DC), Feliciano Azuaga (Novo) Reinaldo Morais (PSC) e Valdir Barranco (PT) - possuem chances remotas de bom desempenho nas urnas.

 Mas, obviamente, no domingo próximo, os cidadãos mato-grossenses, por meio do voto sagrado, darão o veredito final.

Fonte: midianews