O juiz da Segunda Vara Criminal da Comarca de Sorriso, Anderson Candiotto, condenou um homem a 72 anos e 6 meses de prisão em regime fechado pela prática de crime de estupro de vulnerável praticado em desfavor de seu enteado, de 8 anos, e das duas filhas, de 2 e 3 anos.  

Segundo foi apurado na ação penal, a mãe do menor se casou com o réu e com ele teve duas filhas. Consta nos autos do processo, que a mãe das 3 crianças e o acusado se mudaram para Sorriso há alguns anos atrás. Em 2016, uma irmã da mãe das crianças veio visitar a família e percebeu que algo não estava certo, tanto no comportamento dos filhos, como no da sua irmã. Segundo ela, o acusado até chegou a flertá-la.  

Somado a isso, a tia visitante percebeu que o garoto, de 8 anos dava sinais de que não queria voltar a residir com o padrasto, e a família do pai biológico. Para a sorte das crianças, investigou mais a fundo. Por meio da indicação de um psicólogo, aconselhados por advogado, foi feita uma sessão lúdica com a criança e descobriram que o menor era vítima não só de maus-tratos, mas também de abuso sexual. 

A criança relatou que enquanto a mãe saia para trabalhar, o padrasto, e pai das irmãs, de 3 e 2 anos, também eram abusadas, durante o dia, já que o pai ficava o dia todo em casa.  

Acionada, a Polícia Civil foi até a residência e descobriu que o acusado mantinha vasto material pornográfico em suas redes sociais, além de esculturas obscenas e quadros de mulheres nuas. Uma das meninas disse aos investigadores que o pai “mexia” com ela.

Terror em casa

O relatório psicossocial realizado com o menor fez com que o menino contasse que o padrasto por vezes lhe negava comida, colocava pimenta nela, e o obrigava a comer, não o deixava sair de casa ou se socializar com outras crianças, além de dar castigos severos em meio a abusos sexuais diários, sob ameaça de chicote e até um “nunchaku”, instrumento usado em artes marciais, para que a criança não contasse nada a ninguém. 

Além dos maus-tratos, tratamento digno de caracterização de cárcere privado, foi descoberto que o acusado trancava por vezes a casa, mandava todos tirarem as roupas, dava “pinga” para todos, incluindo as crianças, e depois que todos ficavam embriagados, forçavam todos a dançarem nus, em meio a material pornográfico espalhado pela casa. 

O magistrado destacou na sentença que “a impressão que se tem, lamentavelmente, é que daquela casa pequenina, o local que deveria ser sagrado para qualquer pai de família, pouco importando as condições econômicas de quem nela vive, o réu fez dela um “calabouço” para a satisfação de suas perversões sexuais e transformou aquelas pessoas que mais deveria cuidar e amar em ‘escravos de sua lascívia.’”  

Da sentença ainda cabe recurso, mas o acusado foi considerado foragido da Justiça. A prisão preventiva foi decretada, para que aguarde o julgamento de eventual recurso preso.  

Fonte: Portal Sorriso