Um grupo de delegados da Polícia Civil de Mato Grosso vem se articulando nos bastidores para tentar afastar a possibilidade de a delegada Ana Cristnia Feldner assumir as investigações da Grampolândia Pantaneira – como ficou conhecido o esquema criminoso de escutas telefônicas ilegais operado pela Polícia Militar na gestão de Pedro Taques (PSDB).

 Também fazem parte desse grupo alguns dos principais alvos das investigações, entre membros das próprias polícias Civil e Militar.

 Considerada “linha dura”, Feldner atuou à frente das investigações antes do inquérito “subir” para o STJ (Superior Tribunal de Justiça), em outubro de 2017, já que Taques é um dos alvos e, na ocasião, tinha foro privilegiado.

No período em que comandou o inquérito, vários avanços foram obtidos, como a quase confissão de um dos coronéis da PM, peça-chave para se esclarecer o esquema.

 Segundo apurou a reportagem, as investigações atualmente pouco avançaram, fato que vem gerando descontentamento em setores da Polícia Civil, do Tribunal de Justiça e do próprio Palácio Paiaguás.

 “É claro que há uma forte pressão para que as coisas continuem na mesma, ou seja, após quase cinco meses pouco se avançou nas investigações, o que beneficia os investigados”, disse uma fonte que pediu anonimato.

 Segundo a fonte, a tentativa de tumultuar o processo é clara. “Todos estão vendo... Está na cara que querem que esse caso termine em pizza. E, se conseguirem deixar a delegada fora das investigações, muito provavelmente esse grupo sairá vitorioso”, disse.

A fonte ainda lembrou que as investigações feitas por Ana Feldner passaram pela análise de várias instâncias judiciais, inclusive em âmbito nacional, como pelo  Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal e STJ.

 “E nenhuma irregularidade, ou vício, foram encontrados. Então porque esse desespero para deixá-la longe do inquérito”, questionou a fonte.

 Decisão do STJ

 O mais recente desdobramento da Grampolândia foi uma decisão do ministro Mauro Campbell Marques, do STJ, que a pedido do Ministério Público Estadual (MPE) cassou, liminarmente, os despachos e decisões do Tribunal de Justiça de Mato Grosso em relação à Grampolândia Pantaneira, a partir de 12 de março de 2019.

 O ministro também cassou todos os atos investigatórios praticados pela Polícia Civil a partir da mesma data, e determinou que os autos sejam enviados ao chefe do MPE, José Antônio Borges.

Fonte: midianews