Os advogados de defesa dos cinco militares julgados nesta quinta-feira (7) pela Justiça Militar por participação no esquema de grampos que funcionou na Polícia Militar, entre 2014 e 2015, alegam que o Ministério Público Estadual (MPE) não tem provas concretas das acusações dos crimes militares apontados na ação penal.

Esse é o segundo dia de julgamento dos coronéis Zaqueu Barbosa, Evandro Lesco e Ronelson Barros, do tenente-coronel Januário Batista e do cabo Gerson Corrêa Júnior, na 11ª Vara Criminal Especializada Justiça Militar, em Cuiabá.

Os advogados pediram a absolvição dos réus.

O advogado de Zaqueu Barbosa pediu perdão judicial ou o benefício da redução da pena pelo crime de escuta clandestina. Ele confessou o crime e disse que o ex-governador Pedro Taques (PSDB) tinha conhecimento dos grampos.

Saulo Gayva, advogado de Ronelson Barros, alegou que o MPE fez um juízo precipitado ao incluir o coronel na ação.

Nessa quarta-feira (6), nas alegações finais, o promotor de Justiça Alan do Ó pediu a absolvição do coronel.

 
Militares são acusados de esquema de grampos — Foto: Montagem/ G1Militares são acusados de esquema de grampos — Foto: Montagem/ G1

Militares são acusados de esquema de grampos — Foto: Montagem/ G1

Gayva disse que Barros colaborou apenas para o aprimoramento do software sentinela, sistema criado de forma lícita, que acabou sendo usado para a implantação do escritório de escutas clandestinas.

A única acusação contra ele seria participar do aprimoramento do sistema usado no início dos grampos e que Ronelson deveria ser apenas testemunha no processo penal.

Segundo o advogado, o processo foi constrangedor para o coronel que teve "a reputação assassinada no processo" e que esse foi o pior momento para Ronelson foi quando foi submetido ao monitoramento eletrônico.

Por fim, Gayva destacou que a ação não trouxe provas que demonstram responsabilidade de Barros e, por isso, pede a absolvição.

Stalyn argumentou que "o perdão judicial é uma possibilidade, mas não é o norte principal da defesa, que requer a absolvição do coronel Evandro Lesco". Segundo ele, o acusado errou e teve a "hombridade" de assumir seus erros.

"Ele admitiu um crime, identificou toda uma estrutura, responsabilidades e motivações", disse.

Ele perguntou se os juízes se sentiram intimidados pela acusação e pediu que não condenem os réus por conta do clamor social.

Sobre o crime de desvio de movimentação de tropa do qual Lesco é acusado o advogado diz que houve uma tentativa de "atribuição a qualquer custo e a qualquer modo" do crime ao oficial, que ele não pode responder, porque não é ação militar ilícita e tem uma ordem superior para apresentação de militares para instalar os grampos.

Os militares respondem pelos crimes de ação militar ilícita, falsificação de documento, falsidade ideológica e prevaricação. Os crimes dos quais os policiais são acusados estão previstos na legislação militar.

Fonte: G1MT