O coronel da reserva da Polícia Militar, Zaqueu Barbosa, foi condenado a cumprir oito anos de prisão por participação em grampos clandestinos em Mato Grosso. Foram mais de 16 horas de julgamento até a sentença na noite dessa quinta-feira (7) na 11ª Vara Criminal Especializada Justiça Militar, em Cuiabá.

A maioria dos juízes militares acompanhou o voto do juiz Marcos Faleiros. Zaqueu Barbosa foi o único condenado a cumprir pena.

Ele confessou o crime e disse que o ex-governador Pedro Taques (PSDB) tinha conhecimento dos grampos.

 
Militares são acusados de esquema de grampos — Foto: Montagem/ G1Militares são acusados de esquema de grampos — Foto: Montagem/ G1

Militares são acusados de esquema de grampos — Foto: Montagem/ G1

 

Em nota, o ex-governador disse que espera ser chamado para depoimento.

Por unanimidade o conselho condenou Zaqueu a 8 anos de prisão, inicialmente em regime semiaberto. Como o coronel já ficou preso por um ano, deve cumprir sete, mas poderá aguardar recurso em liberdade.

Entre os crimes considerados para a condenação estão a movimentação de tropa para atividade ilegal, tendo em vista que o coronel cometeu os crimes com abuso de sua função.

Zaqueu era comandante-geral da PM, o cargo mais alto da instituição no estado. Também foi decidido que ele deve perder a patente de coronel, punição que só deve ser aplicada apos o julgamento de todos recursos.

O coronel Ronelson Barros e o tenente-coronel Januário Batista foram absolvidos também por unanimidade.

Os juízes concluíram que faltaram provas do envolvimento deles. Acusado de comandar ação militar ilícita, o coronel Evandro Lesco também foi absolvido.

O conselho entendeu que ele era subordinado a Zaqueu, por isso não deve responder pelo crime.

Já o cabo Gerson Correia Junior teve o perdão judicial pela colaboração unilateral.

A Justiça Militar entendeu que o cabo, além de ter sido o primeiro a confessar, trouxe informações importantes.

Na decisão o conselho militar definiu ainda que vai encaminhar a cópia dos autos a corregedoria da PM para apurar os crimes de organização criminosa e escutas telefônicas clandestinas.

 

O processo na Vara Militar foi o primeiro a julgar envolvidos no esquema de interceptações telefônicas clandestinas.

Fonte: G1MT