O juiz Marcos Faleiros, da 11º Vara Criminal da Justiça Militar, remarcou para maio de 2020 as últimas audiências de instrução e julgamento da ação pelo assassinato do tenente Carlos Henrique Paschiotto Scheifer, que ocorreu em maio de 2017.

 As audiências estavam marcadas para ocorrer nos dias 9,11 e 13 de dezembro. Agora, serão realizadas nos dias 26, 27 e 28 de maio do ano que vem.   

 São réus na ação os policiais militares Lucélio Gomes Jacinto, Joailton Lopes de Amorim e Werney Cavalcante Jovino.

  O crime ocorreu no dia 13 de maio de 2017 no Distrito de União do Norte, em Peixoto de Azevedo (a 691 km ao Norte de Cuiabá).

 Os policiais estavam em uma missão na cidade para combater uma quadrilha do “Novo Cangaço”.

 Segundo a denúncia, os policiais teriam matado o colega Scheifer para ocultar o assassinato de um acusado de roubo, identificado com Marconi Souza Santos.

 
 As primeiras audiências sobre o caso foram realizadas em abril deste ano com as testemunhas de acusação. 

 No dia 26 serão ouvidas as testemunhas de defesa. São eles: Saulo Pellegrini Monteiro, Sávio Pellegrini, Lucelio Ferreira Martins Faria Franca, Januario Antonio Edwirges Batista e Saulo Ramos Rodrigues. Todos eles são policiais militares. 
 
No dia 27,  o juiz ainda ouvirá como testemunhas de defesa os policiais Leonildo Morbeques, Izaias Ferreira Lobo, Orlando Vinicius de Souza Coutinho, Lucio Eli Morais, Domingo Sebastião Viana dos Santos, Diogo Muzzi Busato, Paulo Damacena Meira e Leandro Zuqueti.
 
Já no terceiro dia, 28 de maio, será a vez dos réus Lucélio Gomes Jacinto, Joailton Lopes de Amorim e Werney Cavalcante Jovino serem interrogados.

 Origem do conflito

 Alair Ribeiro/MidiaNews

Caso Scheifer

Os três acusados pela morte do tenente, Lucélio Gomes Jacinto, Joailton Lopes de Amorim e Werney Cavalcante Jovino

Segundo o Ministério Público Estadual, os fatos começaram com a perseguição da viatura da Polícia Militar a dois automóveis - um Nissan Frontier e o outro um Mitsubishi L-200 Triton - nos quais estavam os suspeitos de roubo. A equipe da PM estava sob o comando da vítima. 

 Na ocasião, um dos veículos acabou tomando rumo ignorado e o outro perdeu o controle na estrada, quando quatro de seus ocupantes já desceram fazendo vários disparos contra os policiais.

 A tentativa de prender os assaltantes que, inicialmente, parecia ter sido frustrada, acabou obtendo êxito no dia seguinte com apoio de outros militares que atuavam em cidades próximas.

 Um dos veículos foi localizado em um posto de combustível na cidade de Matupá e o condutor, identificado como Agnailton Souza dos Santos, foi preso.

 Consta na denúncia que a partir das informações obtidas no interrogatório do acusado, a equipe de agentes liderada por Scheifer fez o cerco policial a um imóvel localizado em um bairro na cidade de Matupá, para prender outros suspeitos.    

 Durante a ocorrência, um deles, que “supostamente” portava arma de fogo, teria tentado fugir e foi atingido por um disparo de fuzil pelo cabo Lucélio Gomes Jacinto, morrendo em seguida. 

 “Conforme restou apurado nos presentes autos, a lavratura do supracitado boletim de ocorrência foi objeto de divergências e até mesmo de desentendimento entre a vítima, Ten Scheifer, e o denunciado Cb PM Lucélio Gomes Jacinto, pois, há fundadas suspeitas que fora inserida, no referido BO, declaração falsa, com o fim de alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante, no que diz respeito às circunstâncias da morte do indivíduo Marconi Souza Santos”, descreveu o promotor de Justiça Allan Sidney do Ó Souza.

 Segundo ele, testemunhas relataram durante inquérito policial que presenciaram o desentendimento entre a equipe e o tenente Scheifer. Em um determinado momento, os denunciados teriam se reunido a portas fechadas para conversar sobre o ocorrido. 

 Morte de Scheifer

 No mesmo dia, durante diligência realizada no local do primeiro confronto com os ocupantes dos veículos, o tenente Scheifer foi atingido por um disparo na região abdominal.

Inicialmente, conforme o MPE, os colegas de farda sustentaram que a vítima havia sido atingida por disparo feito por um assaltante não identificado, que estaria em meio à mata, do outro lado da rodovia.

 Após a realização do laudo pericial, ficou comprovado que o projétil alojado no corpo do tenente partiu de um fuzil portado pelo cabo Lucélio Jacinto. 

 “Somente após a balística descortinar que o disparo que atingira mortalmente o Ten Scheifer ter saído da arma de fogo portada pelo denunciado Cb PM Jacinto, que então mudando a versão de outrora, ele alegou ter se equivocado da pessoa do Ten Scheifer com a do suspeito”, afirmou o promotor de Justiça.

 Segundo ele, nenhuma das versões apresentadas pelo autor dos disparo foi plausível. “A vítima foi atacada frontalmente (o denunciado afirmara que ela estava de costas) e, em posição de descanso (quando não há perigo pela frente), embora o acusado assevere que o ofendido se apresentava em posição de tiro “vietnamita” (uma forma de posição de ataque”)”, sustentou.

Fonte: midianews