Terminou, por volta das 21h, desta quinta-feira (29), o segundo dia do júri popular da maquiadora Cleia Rosa dos Santos Bueno, 37 anos, acusada de encomendar a morte do marido Jandirlei Alves Bueno, que teria sido executado pelo suposto amante dela, Adriano Gino. A mulher também seria responsável por contratar os irmãos José Graciliano dos Santos, 34 anos, e Adriano dos Santos, 23, para matarem Gino (o amante). Os crimes aconteceram entre 2016 e 2017.

A sessão de julgamento está sendo realizada de forma híbrida, com a presença apenas de algumas pessoas no plenário. O júri começou nesta quarta-feira, às 8h30. Às 9h, teve início o depoimento de uma testemunha, que durou até às 16h. Em seguida, um policial civil que trabalhou nas investigações prestou depoimento até às 19h50 e a sessão foi suspensa.

Nesta quinta-feira, o júri recomeçou às 8h30 e acusação e defesa inquiriram o delegado Ugo Ângelo Reck, titular da Delegacia Especializada em Roubos e Furtos (Derf), na época do crime. No início da noite, outro policial que também trabalhou nas investigações começou a prestar depoimento na condição de testemunha.

Posteriormente, teve início a exibição de depoimentos gravados em vídeos por duas testemunhas da defesa. Na sequência, foi iniciado o interrogatório dos réus. Adriano dos Santos foi o primeiro a ser ouvido, porém, preferiu ficar em silêncio. O irmão dele, José Graciliano, também prestou depoimento e alegou que estava na cena do crime, mas não participou da morte de Adriano Gino.

Após o depoimento de Graciliano, a sessão foi novamente suspenso e o júri entrará no terceiro dia nesta sexta-feira, com o depoimento de Cleia. A previsão é que a decisão dos jurados saia ainda nesta sexta. 

Além da juíza-presidente, Rosângela Zacarkim, estão no plenário apenas auxiliares de Justiça, a Promotoria, defensores/advogados dos réus e jurados. Cleia e os outros acusados participam por meio de videoconferência. No final de junho, a defesa da maquiadora chegou a entrar com um pedido requerendo a presença física da acusada no plenário, “alegando ser essencial para o legítimo direito de plena defesa”. A solicitação, no entanto, foi negada. 

Cleia é a única dos três que está sendo julgada por duplo homicídio. Pela morte do marido, ela responde por homicídio qualificado, cometido por motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Em caso de condenação, poderá ter a pena agravada se for reconhecida pelos jurados como a mandante do crime.

Pelo assassinato de Adriano Gino, a maquiadora é julgada por homicídio qualificado, cometido de maneira cruel, mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima e para assegurar a ocultação e impunidade de outro crime, no caso, a morte de Jandirlei. Também responde por ocultação de cadáver e poderá ter a pena aumentada, caso seja condenada, por ser a suposta mandante do assassinato.

Os irmãos José e Adriano, por outro lado, que teriam sido contratados pela maquiadora para matar Gino, foram submetidos a julgamento por homicídio qualificado, cometido mediante promessa de recompensa, de maneira cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Também são julgados por ocultação de cadáver.

A maquiadora é acusada de mandar o amante Adriano matar o marido e depois teria contratado José e Adriano, que trabalhavam como vigilantes no mesmo bairro onde ela morava, para matar o amante. Cleia e os irmãos foram presos no final de março de 2018 por policiais da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf). Os irmãos levaram os investigadores até o local onde o corpo de Gino foi enterrado, em uma área de mata, na estrada Alzira. Ele estava desaparecido desde o dia 23 de dezembro de 2017. Na mesma vala, foi encontrada a motocicleta da vítima.

Jandirlei foi esfaqueado na residência do casal, no Jardim Florença, durante suposto latrocínio (roubo seguido de morte), que teria sido executado, segundo a polícia, pelo amante de Cléia. O marido da maquiadora foi atingido por dois golpes de faca, em outubro de 2016, e ficou internado por quase dois meses, porém, acabou falecendo. Na data do crime, a mulher contou à polícia que estava em casa, na companhia do esposo, quando foram rendidos por dois assaltantes. Na versão contada, Jandirlei teria reagido e sido esfaqueado.

Em alegações finais no processo, a maquiadora disse que não participou da morte de Jandirlei. Também pediu absolvição em relação ao crime de homicídio contra Gino. Já a defesa de Adriano dos Santos pediu a impronúncia do réu, afirmando que ele cometeu “crime impossível”, uma vez que o suposto amante de Cleia já estaria morto quando recebeu os golpes de enxada. Apontou também que José Graciliano é inocente e não participou do assassinato.

Fonte: SÓ NOTÍCIAS