Na disputa para quem garantir quem terá o apoio do presidente Jair Bolsonaro na disputa da eleição suplementar para o Senado, o deputado federal José Medeiros (Podemos) saiu na frente do deputado Nelson Barbudo (PSL). Medeiros, que é vice-líder do governo na Câmara Federal, já foi procurado pelo núcleo do governo Bolsonaro, que lhe garantiu apoio na disputa pela vaga deixada por Selma Arruda (Podemos), cassada por caixa 2 e abuso de poder econômico.

O entorno do presidente reconhece Medeiros como bolsonarista de primeira linha, já que o mesmo faz uma defesa convicta do governo federal no parlamento e nas redes sociais, agradando o clã Bolsonaro. Já Barbudo, que também é bolsonarista, saiu desgastado da crise interna do PSL, que resultou na saída do presidente do partido, e abriu caminho para que Bolsonaro criasse o ‘Aliança pelo Brasil’, partido ainda em construção.

Mesmo dizendo ser fiel a Bolsonaro, o núcleo duro do governo não engoliu o fato de Nelson Barbudo não ter assinado as listas para que o presidente do PSL, Luciano Bivar (PSL -PE) fosse destituído do cargo e o filho do presidente Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) se tornasse líder da sigla na Câmara, no ano passado. Com isso, o nome de Medeiros é bem mais quisto pelos bolsonaristas que pretendem reforçar o seu palanque na disputa ao Senado.

Mesmo com o apoio encaminhado, José Medeiros mantém o discurso de que a legenda esperará o trânsito em julgado do caso Selma Arruda para depois discutir o processo de eleição. Medeiros é o principal líder do Podemos em Mato Grosso e não pretende se indispor com a senadora cassada, já que a sigla pretende que a mesma atue no pleito que escolherá quem lhe substituirá.

Já Nelson Barbudo mantém o mesmo discurso de aguardar a oficialização da nova eleição. Porém, Barbudo se encontra em uma ‘sinuca de bico’, já que vem buscando reverter a desconfiança do entorno de Bolsonaro e mostrar a sua fidelidade, sem se indispor com os bivaristas, que detêm o comando do PSL nacionalmente. “Não estou desesperado para ser senador, mas é muito importante que a base de apoio ao governo do presidente Jair Bolsonaro não perca a cadeira que é ocupada pela juíza Selma Arruda”, disse o parlamentar.

Além da crise com o núcleo duro do presidente, Barbudo ainda poderá disputar a candidatura ao Senado internamente, já que o deputado estadual Silvio Favero (PSL) deseja concorrer ao Senado e se posicionou ao lado do presidente na crise do PSL com Bivar.

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira (15) que não subirá em palanques durante as eleições municipais deste ano. “Não discuto política. Se meu partido não tiver candidato, não vou me meter em política municipal no corrente ano, ponto final”, afirmou.

Bolsonaro mudou o discurso após sair do PSL. No ano passado, ele tinha afirmado que iria atuar no pleito de 2020 para eleger o maior número de prefeitos. Porém, com o prazo curto para conseguir assinaturas suficientes para que o Aliança pelo Brasil esteja apto a disputa eleitoral deste ano, ele pretende ficar de fora.

No entanto, Bolsonaro deve abrir exceção na disputa ao Senado no Estado, em busca de eleger um senador que apoie o seu governo, garantindo mais um voto no Congresso Nacional. O Aliança precisa do apoio de 492 mil assinaturas até abril para participar do pleito municipal. Os bolsonaristas já iniciaram a coleta de assinaturas para criar a legenda e estarem aptos para a eleição de outubro.

Fonte: folhamax.com.br