O prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (MDB) aproveitou a ausência do governador Mauro Mendes (DEM) na inauguração do viaduto Murilo Domingos, na noite de segunda-feira (10), e tentou atrair novos apoiadores para aquele que já se desenha ser seu projeto político para 2022.

 

Em um evento que contou com a presença de aliados do governador, Max Russi (PSB) e Carlos Avallone (PSDB), o gestor discursou com foco nos representantes da Assembleia, em um tom enfático que fez alguns apoiadores chamarem Emanuel de “governador” durante uma das principais falas do emedebista.

 

“Vocês sabem muito bem do meu posicionamento político, onde estou hoje e onde jamais eu iria estar”, falou. “Vamos trabalhar juntos e misturados, o futuro a Deus pertence, falaram aqui em um ano e meio ou quatro anos, o mais certo é quatro anos, mas se vocês apoiarem vira um ano e meio, se vocês não apoiarem é quatro anos”.

 

Na plateia, parlamentares como Elizeu Nascimento (DC) e Allan Kardec (PDT), que transitam entre base e independentes, ouviam o prefeito mencionar a atuação legislativa. Nos bastidores, fala-se que Emanuel sabe do descontentamento de muitos parlamentares com a gestão Mauro Mendes e tenta aproveitar a mágoa para se consolidar politicamente e encontrar novos aliados.

 

“É importante a ALMT ouvir Cuiabá, ouvir o prefeito Emanuel Pinheiro, ouvir os vereadores da capital, não tomar decisões importantes que impactam na vida dos 700 mil cuiabanos sem ouvir aqueles que foram eleitos e reeleitos pelo voto popular da maioria esmagadora do voto do povo cuiabano”, afirmou.

 

Empolgação falou alto

A exemplo do que fez em 2020, Emanuel Pinheiro evita comentar quando o assunto é eleição. Nesta segunda-feira, porém, prevaleceu a empolgação do prefeito, que acabou deixando claro que a estratégia continua sendo a mesma do ano passado, quando decidiu se reeleger: caso haja consenso sobre seu nome Emanuel vai sim tentar ser governador.

 

As insinuações sobre uma possível candidatura de Emanuel em 2022 também vieram do presidente da Câmara de Cuiabá, Juca do Guará Filho (MDB). Em seu discurso, o vereador enfatizou o ‘diálogo’ entre Pinheiro e sua base aliada, que deve tentar os próximos meses combater a oposição em mais uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), aberta para investigar medicamentos vencidos.

 

“Uma obra dessa além de desafogar o trânsito dessa região é mais um cartão postal para a nossa querida Cuiabá”, afirmou. “Grandes obras como estas precisam ir para Mato Grosso por inteiro, tomara que seja da mão de alguém que sabe fazer gestão, que atende o pedido da classe política, que atende o pedido dos vereadores”, completou o chefe do legislativo cuiabano.

 

Ausência

Como de costume, Emanuel encheu de críticas o governador Mauro Mendes. O prefeito disse que a ausência de Mendes na inauguração do viaduto é “proporcional ao tratamento que ele dá a Cuiabá”. Pinheiro e Mauro, que se tornaram verdadeiros rivais, trocam farpas na imprensa sempre que podem. Na mesma segunda-feira, Mauro Mendes mencionou que “havia algo de estranho na prefeitura”, ao comentar sobre o quinto secretário municipal afastado da gestão do emedebista.

 

“A cada dia que passa a gente sente que este modelo que está aí é um modelo isolado, é um modelo fracassado, é um modelo que não disse a que veio, é um modelo que governa para poucos, que não conversa com ninguém, vai morrer com a fortuna que diz que tem na mão e que não consegue aplicar em benefício dos mais humildes”, finalizou Emanuel.

 

Fonte: Gazeta Digital