O empresário e delator Alan Malouf, que acusa o ex-governador Pedro Taques de prática de caixa 2, contou à Polícia Federal como foi convidado a fazer parte do grupo político e captar dinheiro para a campanha eleitoral de 2014.

Em sua delação, homologada pelo STF em 2018, ele diz que captou cerca de R$ 10 milhões em recursos não contabilizados.

 Em um novo depoimento, em fevereiro do ano passado, Alan contou que um grupo de empresários - formado por pesos pesados do PIB de Mato Grosso - se reuniu para viabilizar financeiramente a campanha de Taques.

"Em meados de março de 2014, Pedro Taques me procurou informando o desejo de disputar Governo do Estado. Nesta ocasião, ele me solicitou meu apoio financeiro, bem como auxílio na captação de recursos financeiros junto ao setor empresarial para viabilizar sua campanha eleitoral", disse Alan.

 "Por volta de maio e junho de 2014, iniciei algumas conversas com o setor empresarial de meu convívio, oportunidade em que reunido com alguns amigos, resolvemos formar um grupo de amigos e simpatizantes em ajudar na campanha, mediante captação de possíveis doadores de recursos", afirmou.

 Segundo ele, em meados de agosto e setembro de 2014, o grupo de amigos iniciou os contatos mais intensivos, cada qual com empresário de seu convívio e segmento, visando captar parte dos recursos necessários.

 "O referido grupo de amigos e empresários era formado por Eraí Maggi, Erivelton Gasques, Fernando Minosso, Juliano Borotoloto, Marcelo Maluf e eu", afirmou à Polícia Federal.

 Fac-símile de trecho do depoimento à PF:

 alan

 

 Reuniões noturnas

 Alan contou que apresentou Júlio Modesto a Taques, para a sua devida aprovação, e que ficou determinado que o mesmo cuidaria das contas da campanha.

 "A partir deste momento, Júlio Modesto começou a fazer parte do grupo, que se reuniu diversas vezes na minha residência, e na maioria das vezes contava com a presença de Pedro Taques", disse.

 O delator explicou que as reuniões ocorriam, aproximadamente, quatro ou cinco vezes por semana, durante o período eleitoral, normalmente à noite.

 "Nestas ocasiões o grupo decidia sobre os rumos da campanha de Pedro Taques, bem como em relação às contas a pagar e doações", disse.

 No depoimento à PF, Alan disse que quis consignar tais fatos para demonstrar como "entrou" para a campanha eleitoral e como posteriormente teve que honrar compromissos da referida campanha através de “Caixa 2”.

 Na sequência do depoimento, o delator falou da suposta prática de Caixa 2 por meio da Gráfica Print (leia abaixo).

 As declarações constam em inquérito em andamento na Justiça Eleitoral, cujo sigilo foi levantado na semana passada pelo juiz Jorge Alexandre Martins Ferreira, da 51ª Zona Eleitoral de Cuiabá.

Fonte: midianews